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Não Julgues Alguém por Quem Cristo Morreu

  Não Julgues Alguém por Quem Cristo Morreu O ensinamento de Jesus sobre o julgamento é profundo e relevante para todos nós. Em Mateus 7, encontramos palavras que nos convidam à reflexão e à mudança de atitude. Vamos explorar por que não devemos julgar os outros e como podemos aplicar esse princípio em nossa vida. I - O Mandamento de Não Julgar Em Mateus 7:1-2, Jesus diz: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão vocês.” Essas palavras são um lembrete poderoso de que nosso julgamento tem consequências. Quando apontamos os erros dos outros, estamos nos colocando em uma posição de juízes, e Deus nos julgará da mesma forma. II - A Trave no Próprio Olho Jesus continua em Mateus 7:3-5: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu próprio olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o

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CULTURA E SOCIEDADE


A definição concisa de cultura: a cultura é parte do que somos, nela está o que regula nossa convivência e nossa comunicação em sociedade. Ao tratar do conceito de cultura, a sociologia se ocupa em entender os aspectos aprendidos que o ser humano, em contato social, adquire ao longo de sua convivência; enquanto a sociedade: é uma associação entre indivíduos que compartilham valores culturais e éticos e que estão sob um mesmo regime político e econômico, em um mesmo território e sob as mesmas regras de convivência.

Cultura significa tudo que é feito, aprendido ou compartilhado por membros de uma sociedade: valores, crenças, comportamentos, símbolos, línguas e objetos materiais. Sociedade significa um grupo de pessoas que vivem em um território definido e que compartilham uma cultura.

A Cultura e a sociedade são dois entes inseparáveis e indivisíveis, do ponto de vista social e antropológico, pois são interdependentes – uma depende da outra para existir. A cultura pode ser definida como os comportamentos socialmente construídos ao longo da história de um povo, isto é, de um grupo social, de uma sociedade, seja ela moderna ou primitiva.

Um povo, na medida em que vai construindo suas regras, seus valores, seus comportamentos, ele o faz tanto de maneira abstrata, como valorativa, quanto material.

Dois termos definem o estudo da cultura, sob a óptica antropológica: o material e o imaterial. A cultura imaterial é a cultura não física, elementos e valores do campo racional, abstrato e religioso. São os elementos que compõem nosso comportamento, mas mesmo não representados fisicamente, eles formam a nossa moral. Já a cultura material, é representada por objetos. Para exemplificar, no cristianismo, o pecado, céu, inferno, são valores que compõem a cultura cristã (ou doutrina cristã), estão no campo imaterial. Quando se quer representar materialmente, ainda no exemplo, usa-se a cruz, um templo religioso, os elementos da Santa Ceia (pão e o vinho) para denotar a cultura cristã.

É importante frisar que cultura é um conceito antropológico que começou a ser melhor abordado e estudado no Século XIX, e que não se tem elementos estudados, antropologicamente, anteriores ao referido período, O que se tem, de antes do Séc. XIX são estudos do ponto de vista sociológico. Logo, por muito tempo se acreditava que o comportamento de um povo, de uma sociedade, derivava de conceitos religiosos ou mesmo biológicos; a partir, então, do Séc. XIX é que antropólogos vão começar a estudar cultura a partir de valores que regem o comportamento de um povo.

A partir desse método de estudar a sociedade, surgiram duas instâncias no conceito de cultura: a cultura erudita e a cultura popular. A cultura erudita surgiu com o aparecimento da nobreza e da burguesia. A cultura erudita possui um rigor intelectual e uma estrutura racionalizada. Por outro lado, a cultura popular é aquela que deriva da classe trabalhadora, ou das camadas menos favorecidas, que vão conhecendo elementos relativos ao seu cotidiano, relativos aos valores de determinado grupo social, por exemplo do campo, temos como produto cultural a música sertaneja ou caipira – percebe-se que não se necessita de erudição para compreender a mensagem dos cantores. Semelhantemente nesse escopo temos a capoeira, manifestação cultural que veio dos escravos, passando para homens livres, quase sempre da classe popular. Não necessita erudição para entendê-la.

A partir da metade do Século XX, no pós-guerra, antropólogos e sociólogos inauguraram um conceito chamado Relativismo Cultural. Cada cultura, a partir desse conceito, deverá ser estudada a partir dela mesma e dos seus valores específicos. Por exemplo, não se pode estudar o índio brasileiro, mas cada etnia tem de ser abordada isoladamente, pois são diferentes em usos e costumes e em linguagem. Essa nova abordagem não permite a hierarquização das diversas culturas, mas faz a distinção entre cultura dominante e cultura dominada. Por exemplo, no capitalismo, os grupos que têm maior acesso ao poder aquisitivo têm também uma cultura dominante, ao passo que, os menos favorecidos monetariamente compõem a cultura dominada. Isso pela diferença ao acesso à erudição. Outro exemplo bem marcante é a chegada dos portugueses no Brasil. Eles não estavam nem um pouco preocupados em se aculturar com os índios, eles chegaram impondo o catolicismo, impondo a língua portuguesa, os usos e costumes de Portugal. Vê-se claramente a cultura dominada e a cultura dominante. O Relativismo Cultural vem para acabar com essas diferenças, e ver todo esse processo de forma equalizada, ou seja, reconhecer a partir da perspectiva do outro.

Outro conceito que deve ser evitado é o etnocentrismo – que é ver o outro a partir da nossa cultura, descredenciando o sujeito de outra cultura. Por exemplo, um cristão olha para uma mulher muçulmana e faz julgamentos, a partir da perspectiva da própria cultura. Ou uma mulher muçulmana julga uma carioca de biquíni na praia de Copacabana, Rio de Janeiro.

No mundo contemporâneo, os meios de comunicação de massa (indústria cultural) padronizaram os hábitos de comportamento – em escala global, propagando os valores de uma cultura dominante, como por exemplo o cinema de Hollywood. Isso pode levar sujeitos de uma cultura dominada a uma aculturação (que é o distanciamento do sujeito da sua própria cultura, por influência de uma cultura dominante).

Vale ressaltar também, que as diferenças culturais não existem apenas entre as sociedades, mas também dentro de uma mesma sociedade. Basta pensarmos na sociedade brasileira, nos diferentes sotaques, classes sociais, etnias, gênero, religiões, gerações, escolarização, origens, etc. É importante levar em conta a diversidade cultural interna à nossa própria sociedade, para compreendermos melhor o país em que vivemos, que é um multiverso cultural.

Concluindo, as sociedades são os produtos resultantes das culturas que formam os povos. Como já referenciado, cultura e religião são entes interdependentes e entrelaçados, de maneira que é impossível estudar um a despeito do outro. Antropologicamente, fica muito claro que a sociedade é produto da cultura de um povo, e a cultura são os elementos, os traços humanos de determinada sociedade. Um está engrenado ao outro; são dois entes que não podem ser estudados separadamente. Em missiologia transcultural é de suma importância conhecer as sociedades e suas culturas, para poder estabelecer a “cabeça de praia” do povo em questão. A antropologia missionária é essencial ao empenho missiológico. Não se pode mais pensar em missão transcultural sem o emprego da antropologia missionária; é altamente relevante que os centros de formação missiológica ensinem a antropologia missionária aos vocacionados para missões complexas, que ultrapassam as barreiras culturais do povo a ser evangelizado.



Gustavo Maders de Oliveira - Th.M.

23 de junho de 2022.

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