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Não Julgues Alguém por Quem Cristo Morreu

  Não Julgues Alguém por Quem Cristo Morreu O ensinamento de Jesus sobre o julgamento é profundo e relevante para todos nós. Em Mateus 7, encontramos palavras que nos convidam à reflexão e à mudança de atitude. Vamos explorar por que não devemos julgar os outros e como podemos aplicar esse princípio em nossa vida. I - O Mandamento de Não Julgar Em Mateus 7:1-2, Jesus diz: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão vocês.” Essas palavras são um lembrete poderoso de que nosso julgamento tem consequências. Quando apontamos os erros dos outros, estamos nos colocando em uma posição de juízes, e Deus nos julgará da mesma forma. II - A Trave no Próprio Olho Jesus continua em Mateus 7:3-5: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu próprio olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o

Do ministério pastoral feminino

 

Do ministério pastoral feminino



Efésios 4:11,12


“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;”


Com certeza você, nalguma vez, esteve diante deste dilema: pode existir “pastoras” na igreja contemporânea? Este é um assunto que, por barbaresca tosquice, gera muita polêmica no meio evangélico, praticamente dividindo denominações com sentenças a favor e contra, não havendo consenso nem nas igrejas que ordenam mulheres ao ministério pastoral.

Por um lado estão os “guardiões da sã doutrina”, aqueles “rufiões” ortodoxos defensores do continuísmo, que não aceitam mudanças de paradigmas. Sustentam que não existem pastoras na Bíblia, e por isso não concordam com a ordenação feminina. Mas desconsideram que na Bíblia também não existe ministério de jovens, ministério de louvor, nem mesmo ministério da Palavra. Não consideram, também, que a Bíblia foi escrita em um período de 1500 anos, sendo o último livro escrito em 96 d.C., numa época de extremo machismo, onde as mulheres não podiam nem falar, nem perguntar na igreja, tinham que tirar as dúvidas com o marido em casa. Mas também não existe na Bíblia automóvel, energia elétrica e internet, porém todo mundo usa, porque é conveniente. Alegam também esses senhores que o marido é a cabeça da esposa (Efésios 5:22,23), desqualificando a mulher para o ministério por causa da submissão.

Há, entretanto, quem defenda a ordenação pastoral de mulheres, e há muitas igrejas, desde as reformadas históricas, passando pelas tradicionais, pentecostais e neopentecostais, que praticam a consagração feminina. Ora, é provado cientificamente que a mulher tem muito mais tato, mais sensibilidade e muito mais carinho do que o homem. E o que são os requisitos para o bom pastorado senão, justamente tato, sensibilidade e carinho? É claro que ser sensível em demasiado pode ser, algumas vezes, prejudicial, haja vista que o ministério pastoral exige, vez ou outra, o uso do cajado e da vara (de Salmo 23), e daí a pastora precisa ter pulso firme para apascentar o rebanho. Nos tempos bíblicos também não existiam juízas, professoras e médicas; todas exercem sua profissão com excelência, em muitos casos melhores do que os homens. Mas na cultura do 1º século, no mundo do apóstolo Paulo, a mulher só podia ser dona de casa, com raras excessões. Nos capítulos 3 e 5 de I Timóteo, Paulo dá recomendações, respectivamente aos líderes  e pastores. No capítulo 2 o apóstolo disfere uma série de orientações às mulheres, restringindo-as de ensinar e exercer autoridade sobre os homens na igreja. Essas recomendações devem ser interpretadas à luz da situação da igreja de Éfeso (em 64 d.C.), conforme explica no capítulo 1 e no próprio cap. 2, além da Epístola aos Efésios. Noutras palavras, existia um problema particular na igreja de Éfeso que levou Paulo a deliberar na carta à Timóteo. Mas isso não representa doutrina para a igreja contemporânea; não é parâmetro definitivo para o caso de ordenação feminina. 

Pelo sim, pelo não, me posiciono a favor do ministério pastoral feminino. Não encontro respaldo hermenêutico ou exegético em textos que sustentam que a mulher tem de ser submissa, isto é, que a mulher não pode ser pastora porque a Bíblia manda a mulher ser submissa ao marido e que deve ficar calada na igreja, não podendo ensinar ou exercer autoridade sobre os homens na igreja. Temos no meio cristão, há muitos anos, mulheres que exercem o ministério missionário, que é tão complexo quanto o ministério pastoral, pois o missionário “vê a cor dos olhos do inimigo”, isto é, vai onde a igreja não vai, lida com problemas de grande dimensão. Daí pode ser mulher? É isso que não julgo coerente: como uma mulher pode ser missionária e não pode ser pastora? É por isso que entendo que há um erro interpretativo acerca das passagens que os que negam a ordenação se baseiam; não faria mal um pouco de coerência em interpretar a Bíblia à luz do que ela quer dizer pro seu receptor original e o que quer nos dizer hoje, em pleno século XXI. Há argumentos contra e a favor, mas considero que o negacionismo está mais ligado à tradição conservadora do que ao significado dos textos que sustentam a narrativa, pois, uma interpretação menos ortodoxa admite, sem problemas, a possibilidade da ordenação de mulheres ao ministério pastoral. A teologia paulina, usada para negar a consagração feminina, deve ser interpretada à luz dos motivos da existência de cada epístola, extraindo-se a "moral da história", isto é, o que o apóstolo disse na época do 1º século da era cristã que aplica-se à igreja hoje, ou melhor dizendo, quais os princípios eternos e universais devem ser aplicados na igreja contemporânea.  

Sendo a Palavra de Deus, a Bíblia é imutável. Mas a Bíblia não foi escrita para nós, cada livro ou epístola tem um receptor original. Precisamos, no esforço de interpretar, entender o significado original e aplicá-lo em nossas vidas os princípios eternos e universais, principalmente do Novo Testamento, sob pena de, numa interpretação literal, afirmarmos ter dito Deus algo que ele unca disse.


Gustavo Maders de Oliveira – D.Miss.


25/02/2024

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